Arquivo de 4 de setembro de 2008

… só um comentário

quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Quem é policial militar ou familiar de policial militar vai entender o que estou querendo dizer.

O I Forum sobre Segurança Publica e Situação Carcerária, uma iniciativa da OAB – Parnaíba-Piaui, será realizado nos dias 05 e 06 no auditório da Associação Comercial de Parnaíba. Queremos parabenizar a OAB pela iniciativa.

Gostaríamos de dar nossa opinião sobre o assunto: Segurança Publica.

A Segurança Pública de Parnaíba precisa ser discutida com seriedade. Sem maquiagens. Não tem como não falar em segurança pública sem falar do profissional da segurança pública, principalmente o policial militar.

Não vamos “tapar” o sol com a peneira. Em Parnaíba, a segurança pública não é levada a sério. A começar pelo tratamento dispensado aos policiais militares por parte de seus superiores. Uma instituição onde o “militar” fala mais alto que o “policial”. Onde: ordem se cumpre, não se discute!

A saúde do policial.

Nossa tropa ‘tá’ doente. A policia militar esconde os números de policiais viciados, trata o alcoólatra com prisão disciplinar; subestima os que precisam de tratamento psicológico como se fosse ‘macetes’… Em nossa cidade, por exemplo, é notória a necessidade de acompanhamento de vários policiais, no entanto, essa preocupação não existe por parte do Estado.

Cuidados com a segurança o policial.

Algumas semanas atrás falamos da escassez de armamento e munição, onde policiais iam pra RP com apenas 4 cartucho de 38. É verdade que agora pagam pistolas .40 para as RPs e Grupo GIRO (motoqueiros), porém, o centro comercial de Parnaíba fica a ‘deriva’. Cautelam duas armas para quatro policiais, não tem rádio, e este policiamento é feito inteiramente a pé.

O policial que vai as ruas é um policial solitário. Se as ocorrências tiveram um desfecho favorável méritos pro comandante, se deu ‘zebra’ o praça “come” a bronca sozinho. Apoio ZERO por parte do comando.

A Estrutura Policial Militar em Parnaíba.

Dizem que o local mais seguro de uma cidade é o Quartel. Temos que rever este ‘ditado’.

O artigo Quartéis Abandonados publicado neste blog relata um pouco da realidade. O quartel em Parnaíba oferece segurança zero pra quem lá trabalha. Não tem portal frontal, muros baixos da lateral, e apenas cerca nos fundos, iluminação precária, banheiros e alojamentos… entre outras coisas… (temos várias fotos do descaso mas, vamos evitar publicar)

O COPOM é o “coração” da operacionalidade. Em Parnaiba, uma simples queda de energia deixa praticamente toda a cidade sem comunicação. No entanto, medidas simples poderiam oferecer ao Copom uma estrutura digna da sua importância, como (pelo menos): baterias (no-break) para manter o radio embora falte energia elétrica, computador para consulta INFOSEG, um telefone para ligações (essencial), capacitação e pessoal treinado, sala exclusiva para funcionamento… etc…

Para quem não sabe, em Parnaiba, apenas dois policiais militares dividem o COPOM durante 24 horas. É um trabalho muito cansativo e estressante que, infelizmente, o próprio comando sobrecarrega ainda mais pois o COPOM fica responsável para anotar recados já que o Quartel não dispõe de telefone para atendimento ao expediente.

Escala de Trabalho

Os policiais militares trabalham em escala 24 por 48, distribuídos em diversos pontos: Penitenciária, PPOs, rodoviária, PPTran, Hospital, Juizado Especial, Forum, Defensoria, RPs, GIRO, Guarda,…

Já manifestamos nossa opinião a respeito dos PPOs. Dezenas de homens simplesmente não fazem nada. Não por culpa deles. É que cada PPO tem dois homens escalados, e, esses PPOs não oferecem segurança, ou seja, se sair pra atender algum chamado (a pé) corre o risco de ter o PPO roubado. Defendemos a idéia de se fechar alguns PPOs. Existe até PPO que fica apenas um policial – embora o regulamento dizendo que um homem não trabalha sozinho.

Ficam ainda policiais no Hemocentro e Hospital Dirceu, que a Secretaria de Saúde poderia muito bem contratar vigilantes.

A escala aperta em períodos festivos: natal, réveillon, carnaval, férias, festas juninas… Só que as gratificações não vem com a mesma freqüência. É incrível como a policia militar não paga os direitos aos seus policiais, ex.: transferência com ônus pro estado, diárias, ajuda de custo, sem falar no irrisório adicional noturno que é pouco mais de 1 real a hora-extra trabalhada…

Sociedade parnaibana, isso é só um pouquinho daquele profissional que você vê nas ruas. Olha que a segurança pública não é feita só pela PM não. Agora, imagine esse profissional tendo como remuneração pouco mais de mil reais por mês. Assista o video abaixo. Essa é a realidade em todo o Brasil: falta de respeito por parte do Estado, baixos salarios… MUITA PRESSÃO… Consequência: Péssima qualidade dos serviços oferecidos!


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